Como quantificar os resultados num CV (sem inventar nada)
Um recrutador percorre um CV em poucos segundos. Um número chama a atenção e transforma uma tarefa numa realização — desde que seja verdadeiro e o consiga explicar em entrevista.
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Porque é que um número muda tudo
«Gestão de encomendas de clientes» descreve um cargo. «Tratamento de cerca de 60 encomendas por dia, sem atrasos de entrega ao longo do ano» descreve uma pessoa. A segunda frase diz o mesmo, mas dá ao recrutador uma escala: fica logo a saber a que nível trabalhava.
Um número tem três efeitos:
- Atrai o olhar. Num bloco de texto, os números são o que o olho vê primeiro.
- Torna a afirmação verificável. «Bom relacionamento com os clientes» não se prova; «95 % de clientes satisfeitos nos inquéritos» discute-se.
- Abre a entrevista. O recrutador vai perguntar-lhe como lá chegou: é exatamente a pergunta a que quer responder.
Os cinco tipos de números a procurar
Quase todas as profissões os produzem, mesmo as que se julgam «não mensuráveis». Para cada missão, passe em revista estas cinco perguntas:
- Quantos? Um volume: clientes, processos, doentes, encomendas, chamadas, alunos, referências, obras.
- Em quanto tempo? Um prazo ou uma frequência: por dia, por semana, em menos de 48 h, em três meses.
- Por que montante? Um orçamento gerido, um volume de negócios, um valor médio do cesto, poupanças conseguidas.
- Quanto evoluiu? Uma percentagem ou um antes/depois: subida, descida, redução de erros, de prazos, de custos.
- Com quem? O tamanho de uma equipa coordenada, um número de locais, serviços ou parceiros coordenados.
Exemplos, profissão a profissão
Os números destes exemplos são ilustrativos: use os seus.
E se não tiver um número exato?
É o caso mais frequente: ninguém conta os seus processos. Tem três opções honestas:
- Uma ordem de grandeza. «Uma vintena», «mais de 300», «entre 50 e 80 por semana». Reconstitua-a a partir de um dia típico: quantos por dia, multiplicado pelo número de dias trabalhados.
- Uma comparação. «Duas vezes mais rápido do que com a ferramenta antiga», «a maior carteira da agência».
- Um efeito concreto, sem número. «Procedimento adotado pelos outros três locais da empresa» diz mais do que uma percentagem inventada.
A única regra que conta: nunca escreva um número que não consiga explicar em entrevista. Um recrutador que investiga um número inflacionado só retém isso. Uma ordem de grandeza assumida vale mais do que uma precisão falsa.
Onde colocar o número na frase
Comece pela ação, termine com o resultado: o número no fim do ponto é o que fica. Mantenha cada ponto curto — cerca de vinte palavras bastam e, acima de trinta, a frase já não se lê de relance.
É preciso quantificar todas as linhas?
Não. Dois ou três pontos quantificados por experiência bastam para dar a escala do cargo. Quantificar todas as linhas pesa no CV e faz duvidar da precisão do conjunto. Reserve os números para o que mais conta para o cargo pretendido e deixe o resto descrever o que fazia.
Como o OpusCV o ajuda
O OpusCV deteta os pontos do seu CV que descrevem uma tarefa onde um resultado quantificado seria mais eloquente. Para cada um, faz-lhe perguntas simples — quantos, em quanto tempo, em relação a quê — e depois reformula a frase com as suas respostas, e apenas com elas. Nunca completa um número por si: se não tiver nenhum, o ponto fica como está.